“Queremos ser bipolares.
Uma situação bem controversa vem acontecendo no Reino Unido. Por lá, as pessoas estão começando a se familiarizar com o Transtorno Bipolar, visto que celebridades estão falando mais abertamente dele, tornando-o mais popular e aceitável. O problema é que os profissionais da saúde mental estão lidando com tal distúrbio: as pessoas estão se autodiagnosticando com tal distúrbio. Isso porque se criou uma ideologia de que o transtorno afeta pessoas criativas, ou seja, quem possui o transtorno ascende em sua condição social.(grifo nosso). Segundo psiquiatras de Londres, ser bipolar virou um diagnóstico visto como desejável, e este fenômeno deve aumentar ainda mais o número de pessoas chegando ao consultório com este diagnóstico. O profissional inglês agora enfrenta o desafio de esclarecer aos pacientes de que variações no humor nem sempre são causadas por Transtorno Bipolar. Eles devem, acima de tudo, fazer um diagnóstico preciso.”
Fonte: Revista Psique, Ano V, n°58, de outubro de 2010
A nota chama a atenção pelo enfoque patológico atribuído ao talento e às qualidades do ser humano e pelo desconhecimento da realidade consciencial.
Historicamente, a Psicologia e a Psiquiatria, enquanto ciências, postulam que o sujeito chamado normal é o sujeito medíocre em seus desempenhos. Já o sujeito considerado genial, criativo, talentoso, é anormal (pois está acima da média) – por isso, sua condição é acompanhada de alguma patologia ou desvio.
No livro Temperamento Forte e Bipolaridade, de Diogo Lara, é possível acessar uma lista com vários expoentes nas diversas áreas do conhecimento humano, considerados bipolares. Na Literatura, a lista inclui, por exemplo, Fernando Pessoa, T. S. Eliot, Walt Whitman. Agatha Christie, Virginia Woolf, Ernest Hemingway, Edgar Allan Poe, Graham Greene, Hans Christian Andersen.
Na música, o autor cita Cazuza, Axl Rose, Kurt Cobain, Elvis Presley, Janis Joplin e Jimmy Hendrix. O autor segue citando outros nomes nas áreas do Cinema, Artes, Ciência e Política. Se você der uma lida, perceberá, sem esforço, que todos os citados são ou foram pessoas brilhantes e talentosas nas áreas em que trabalharam ou ainda trabalham. Não é à toa que pessoas “comuns” estão querendo ser tachadas de bipolares para ter certo brilhantismo. Mas esses conceitos distorcem a utilização dos talentos e criam estigmas patológicos.
Obviamente, cada caso deve ser cuidadosamente diagnosticado e não é nossa intenção aqui discutir os diferenciais de diagnóstico. Nesse texto, estaremos nos remetendo às pessoas que, sem muitos critérios, começam a “querer” ser bipolares.
Para erradicar esse tipo de equívoco, é pertinente explorar alguns conceitos da Conscienciologia e da Proexologia. Segundo essas ciências a origem de um talento, um ponto forte, ou um megatraço-força, conforme denominamos, é a utilização consciente desse traço em prol da evolução pessoal e grupal em sucessivas vidas. Isso significa que o talento é sinônimo de força, de potencial de realização, ao contrário de patologia. A partir da Proexologia, os talentos pessoais ou megatraço-força é um dos principais componentes da programação existencial, pois a pessoa poderá contribuir para a melhoria do Planeta se basear seu trabalho em suas qualidades – você já viu alguém ajudar outras pessoas partindo de suas piores qualidades?
Algumas pessoas podem ter traços-fortes mais evidenciados que outras, mas certamente as pessoas que ainda não estão apresentando suas genialidades, é porque ainda não as descobriram. Então, o indicado é investigar seus pontos fortes e utilizá-los sadiamente, ao invés de buscar um rótulo ou um diagnóstico.
Outra contribuição importante da Conscienciologia à desmistificação do diagnóstico de Bipolaridade se refere às alterações de humor. Boa parte dessas alterações podem ser conseqüência da falta de domínio energético, da assimilação energética inconsciente – condição na qual a pessoa se contamina das emoções alheias, sejam positivas ou negativas, sem discernimento ou autopercepção. Essa condição faz com que muitas pessoas mudem de humor conforme as companhias e os ambientes e se avaliem equivocadamente como bipolares, reforçando um diagnóstico patológico.
A notícia acima chama atenção para a utilização consciente e pró-evolutiva dos próprios talentos e a autoconscientização quanto ao domínio das energias. Ambas as condições, quando não bem aproveitadas, podem causar prejuízos à pessoa. Porém, se bem trabalhadas, dinamiza a realização da programação pessoal e a autossuperação evolutiva. A fórmula traços-força + domínio das energias é essencial para a realização da programação existencial.

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