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quarta-feira, 1 de junho de 2011

"FOI APENAS UM SONHO"





Neste final de semana, assisti ao filme Foi Apenas um Sonho, o qual aborda conflitos de relacionamento e de carreira de um jovem casal. O filme permitiu uma reflexão profunda sobre o sentido da vida.
 
Os atores Leonardo DiCaprio e Kate Winslet interpretaram seus personagens de forma admirável. Dois jovens que se conhecem durante uma festa na década de 50. Ela com um sonho de ser atriz e ele .... ele não tinha um objetivo na vida, mas não queria repetir a história de seu pai.
 
Em determinado momento, o casal entra em crise e fica evidente a melancolia, o vazio existencial, a acomodação, a falta de ousadia e o medo da mudança. O rapaz, embora inteligente, é inseguro e, apesar de insatisfeito com sua vida, mantém-se na zona de conforto. Ao invés de olhar para si, em busca de seus traços forças, acaba “deixando-se levar pela vida”.
 
A rotina formatada no trabalho e na vida doméstica atua sutilmente naquelas pessoas, criando comportamentos robotizados. Tem uma cena curiosa onde todos os homens que estão chegando ao trabalho vestem-se praticamente iguais: mesmo modelo de terno, chapéu e pasta. Parece que saíram de uma linha de montagem.
 
A imaturidade, a falta de lucidez e desequilíbrio emocional leva o jovem casal a acreditar que, mudando-se para Paris, encontrarão a felicidade. Não conseguem perceber que a insatisfação é interna e não será uma simples mudança de cidade que lhes trará satisfação íntima. 
 
O filme mostra também o uso da sexualidade como válvula de escape dos problemas. Ter um envolvimento extraconjugal ou fingir que está tudo bem serve apenas para imputar culpa e adiar o enfrentamento da situação.
 
Um personagem interessante é o filho da corretora de imóveis, PhD em matemática, que está internado em um manicômio e eventualmente visita o jovem casal. Sua autenticidade e percepção da realidade são intrigantes. Ele faz questionamentos que desestruturam o casal. É incisivo nos comentários e toca no ponto central dos problemas, deixando o interlocutor com raiva e descontrolado. Quantas vezes rotulamos de louco alguém que tem a coragem de dizer o que pensa, de forma franca e aberta?
 
A vida humana é curta e o tempo passa muito rápido. Por isso, precisamos de ousadia para fazer as reciclagens existenciais, no momento certo, de forma a garantir o cumprimento da nossa Proéxis (Programação Existencial), ou seja, aquilo que viemos fazer nessa vida.
 
Maria Isolete

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