A aplicação do discernimento no âmbito do projeto de vida precisa levar em conta as experiências positivas, valorizando-as. Há um especial peso atribuído a tudo o que dá errado, pesando para baixo a autopercepção do indivíduo, mas que também ocorre na vida em comunidade, e na sociedade em geral.
Em entrevista publicada no jornal Zero Hora, na segunda-feira, 4 de outubro de 2010, páginas 7 e 8, realizada por Tulio Millman sobre a experiência do JN no ar, com Ernesto Paglia, um fato do jornalismo, mas também do senso comum, veio à tona com claridade
ZH – E o seu jeito de ver o jornalismo, mudou?
Ernesto Paglia - “Infelizmente, somos pautados pela tragédia. Não podemos deixar de dar o acidente ou a turbulência no Equador. Por que a gente pode deixar de dar a riqueza do Rio Grande? Por que a gente pode deixar de falar dos milhares de universitários do interior de Rondônia? Por que isso tudo é descartável? Precisamos rever essa forma de ver o mundo. O jornalismo não pode ser feito somente da narrativa de exceções. A felicidade e o orgulho da gente também devem estar no jornal”(p. 7).
E o que fazer quando a experiência dá certo? Encontrar furos é a saída, para manter-se o foco no “erro”, nem que este “erro” seja apenas uma suposição de possibilidade futura. Essa postura de sobrevalorizar o erro, o fracasso, a tragédia, o negativo, no plano individual ou comunitário, acaba por gerar uma espécie de “efeito kryptonita”, ou melhor, uma fragilização da forma de perceber as possibilidades de fazer com que as coisas deem certo.
Mesmo ouvindo e vendo notícias de tragédias, corrupção todos os dias, a expectativa de vida subiu enormemente na última década, do problema da fome passamos a enfrentar a obesidade, e o nível educacional do brasileiro só sobe. Pelo visto muitas coisas deram certo nestas últimas décadas, que não foram noticiadas.
Por isso, a aplicação do discernimento no projeto de vida individual ou grupal precisa ser pautado pelo que deu certo, valorizando as experiências positivas, e tentando perceber o que funcionou, também.
Gustavo Vieira

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